O dedo em gatilho é uma das condições mais frequentes da mão, causando dor, travamento e limitação funcional. O diagnóstico precoce permite tratamento eficaz — muitas vezes sem cirurgia.
O dedo em gatilho — tecnicamente denominado tenossinovite estenosante — é uma condição causada pela inflamação e espessamento da bainha tendínea (chamada polia A1), localizada na base do dedo, na palma da mão.
Essa estrutura funciona como um túnel por onde passa o tendão flexor. Quando a polia se espessa ou o tendão aumenta de volume, o deslizamento torna-se difícil — gerando o característico travamento ou estalido ao dobrar ou estender o dedo.
Em casos avançados, o dedo pode ficar bloqueado na posição fletida, necessitando de manobra manual — ou mesmo cirurgia — para ser estendido.
Dedos mais acometidos: polegar, dedo médio e anelar — mas qualquer dedo pode ser afetado. O acometimento bilateral e múltiplo é frequente em pacientes diabéticos.
Dor e sensibilidade na base do dedo. Sem travamento ainda. Piora ao acordar.
Estalido ao dobrar e estender o dedo. Travamento intermitente com resolução espontânea.
Travamento que só resolve com manobra manual. Dor intensa. Limitação funcional significativa.
Dedo fixo em flexão, sem possibilidade de extensão. Indicação cirúrgica formal.
A escolha do tratamento depende do estágio clínico, das comorbidades do paciente e da resposta às medidas conservadoras. O objetivo é sempre restaurar a função plena com o mínimo de intervenção necessária.
Injeção de corticoide na bainha tendínea — procedimento ambulatorial, sem anestesia geral. Taxa de resolução de 60–70% nos estágios I e II. Guiada por ultrassom para maior precisão.
Secção cirúrgica da polia A1 por incisão mínima na palma. Realizada sob anestesia local — técnica WALANT — com alta no mesmo dia. Taxa de resolução superior a 97%.
Liberação da polia com agulha, guiada por ultrassom — sem incisão. Realizada no consultório, com anestesia local. Indicada em casos selecionados de estágios II e III.
Wide Awake Local Anesthesia No Tourniquet — o paciente permanece acordado durante o procedimento, sem torniquete e sem sedação. Isso permite verificar o resultado da liberação em tempo real, com o paciente movimentando o dedo na mesa cirúrgica. Menor risco, recuperação mais rápida e maior segurança.
Cirurgião da Mão e Microcirurgião com mais de 25 anos de experiência, especializado no diagnóstico e tratamento de doenças da mão, punho e cotovelo. Membro titular da SBOT e SBCM.
Sim — nos estágios iniciais (I e II), a infiltração de corticoide resolve o quadro em 60–70% dos casos. A liberação percutânea com agulha é outra opção minimamente invasiva. A cirurgia é indicada quando as medidas conservadoras falham ou no estágio IV com dedo bloqueado.
A recuperação é rápida. Com a técnica WALANT, o paciente já movimenta o dedo na mesa cirúrgica. O retorno às atividades leves ocorre em 1–2 semanas; atividades que exigem força, em 4–6 semanas. Não há necessidade de fisioterapia na maioria dos casos.
Sim — a liberação da polia A1 é um procedimento coberto pela maioria dos planos de saúde (código TUSS 30715016). A autorização prévia e os documentos necessários são orientados pela nossa equipe durante a consulta.
Sim — o acometimento múltiplo é frequente, especialmente em pacientes diabéticos ou com doenças reumáticas. Quando há indicação cirúrgica em múltiplos dedos, é possível realizar a liberação de todos na mesma sessão operatória.
A recorrência após cirurgia aberta é rara — inferior a 1%. A liberação completa da polia A1 é definitiva. O controle de fatores de risco como diabetes é importante para prevenir o desenvolvimento da condição em outros dedos.
O diagnóstico precoce do dedo em gatilho aumenta significativamente as chances de resolução sem cirurgia. Agende uma avaliação especializada.
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