A lesão dos tendões flexores dos dedos é uma das emergências mais desafiadoras da cirurgia da mão. O reparo primário nas primeiras 24–72h, com técnica precisa e reabilitação especializada, é o único caminho para recuperar a função dos dedos.
Os tendões flexores percorrem um sistema de polias ao longo da face palmar dos dedos — as bainhas tendinosas — que os mantêm próximos ao osso e transmitem a força do antebraço para as falanges. Cada dedo tem dois tendões flexores: o flexor superficial dos dedos (FSD), que flete a falange média, e o flexor profundo dos dedos (FPD), que flete a falange distal.
A Zona II — entre a polia A1 e a inserção do FSD — é chamada de "terra de ninguém" por ser a mais desafiadora para o reparo: os dois tendões passam juntos em um espaço extremamente estreito, e a cicatrização excessiva causa aderências que limitam o deslizamento.
Urgência: lesão de tendão flexor é uma emergência cirúrgica. O reparo primário nas primeiras 24–72h oferece os melhores resultados. A mobilização precoce guiada após o reparo é fundamental para evitar aderências.
Não há tratamento conservador para ruptura completa de tendão flexor. O reparo cirúrgico primário é mandatório — quanto mais precoce, melhor o resultado.
Sutura direta dos cotos tendíneos com técnica de núcleo multifascicular (Kessler modificado, cruciate, ou Lim-Tsai) + sutura epitendinosa contínua. Com WALANT, o paciente testa o movimento durante a cirurgia, confirmando a integridade do reparo e a ausência de impingement nas polias.
Após 3–4 semanas, a retração dos cotos e a fibrose da bainha impedem o reparo direto. A reconstrução em dois tempos com enxerto tendíneo (tendão palmar longo ou plantar delgado) é a alternativa — mais complexa e com resultados inferiores ao reparo primário.
A mobilização precoce controlada — iniciada em 24–48h após o reparo — é tão importante quanto a cirurgia. Protocolos de Duran, Kleinert ou Place-and-Hold previnem aderências e maximizam o deslizamento tendíneo. A fisioterapia especializada em mão é indispensável.
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Lesão de tendões flexores
Zona II — aspecto clínico
Intraoperatório — cotos
tendíneos expostos
Intraoperatório — após
reparo primário
Reconstrução com enxerto
tendíneo

Cirurgião da Mão e Microcirurgião com mais de 25 anos de experiência, especializado no tratamento de fraturas e lesões traumáticas da mão e do punho. Membro titular da SBOT e SBCM.
Sim — o reparo primário nas primeiras 24–72 horas oferece os melhores resultados. Após esse prazo, a retração dos cotos tendíneos e a fibrose da bainha dificultam o reparo direto, exigindo reconstrução em dois tempos com enxerto — procedimento mais complexo e com resultados inferiores.
Na maioria dos casos sim, especialmente quando o reparo é precoce e a reabilitação é conduzida por fisioterapeuta especializado em mão. A mobilização precoce — iniciada em 24–48h — é fundamental para evitar aderências e recuperar o deslizamento tendíneo.
Sim — o reparo de tendão flexor é coberto pela maioria dos planos de saúde. Lesões por acidente de trabalho têm cobertura pelo seguro do empregador ou pelo INSS.
A fisioterapia especializada em mão é indispensável — tão importante quanto a cirurgia. Protocolos específicos de mobilização precoce (Duran, Kleinert, Place-and-Hold) previnem aderências e são o que determina o resultado funcional final.
Lesão de tendão flexor é uma emergência. Procure avaliação especializada nas primeiras 72 horas.
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