A doença de Dupuytren é uma fibromatose progressiva da fáscia palmar que leva à contratura em flexão dos dedos. Embora benigna, pode causar limitação funcional significativa. O tratamento — cirúrgico ou minimamente invasivo — oferece bons resultados quando indicado corretamente.
A doença de Dupuytren é uma fibromatose progressiva da fáscia palmar — o tecido conjuntivo que reveste a palma da mão. A doença causa espessamento e retração dessa fáscia, formando cordões fibrosos que tracionam os dedos em direção à palma, impedindo a extensão completa.
Os dedos mais frequentemente acometidos são o IV (anelar) e V (mínimo). A progressão é variável — alguns casos permanecem estáveis por anos, outros evoluem rapidamente para contraturas graves que comprometem a função da mão.
A doença tem forte componente genético — mais comum em homens acima de 50 anos, especialmente de ascendência nórdica ou europeia. Diabetes, tabagismo e epilepsia são fatores de risco associados.
Teste de mesa: o paciente não consegue apoiar a palma da mão completamente sobre uma superfície plana — sinal clínico clássico que indica a necessidade de avaliação especializada.
Fáscia palmar — cordões fibrosos da doença de Dupuytren
Fáscia palmar — cordões fibrosos da doença de Dupuytren
Nódulo palpável na palma, sem contratura. Pode ser doloroso inicialmente. Sem limitação funcional. Observação indicada.
Cordão fibroso visível. Déficit total de extensão até 45°. Impacto funcional leve. Tratamento pode ser considerado.
Limitação funcional significativa. Dificuldade para usar luvas, apertar mãos, colocar a mão no bolso. Tratamento indicado.
Dedo fixo em flexão grave. Risco de lesão cutânea por maceração. Cirurgia indicada — recuperação completa pode ser limitada.
A indicação do tratamento depende do grau de contratura, dos dedos acometidos, da velocidade de progressão e das características individuais do paciente — incluindo a presença de diátese de Dupuytren, que eleva o risco de recorrência independentemente da técnica utilizada.
Secção do cordão fibroso com agulha, no consultório ou centro cirúrgico, sob anestesia local. Procedimento rápido, sem incisão, com retorno imediato às atividades. Indicada em cordões bem definidos, estágios I e II. Taxa de recorrência maior que a cirurgia aberta.
Remoção cirúrgica dos cordões e nódulos fibrosos doentes, preservando a fáscia normal. Padrão-ouro para estágios II e III. Realizada sob WALANT — o paciente estende os dedos na mesa para confirmar a liberação completa. Menor taxa de recorrência.
Nos casos avançados (estágio III/IV) ou recidivados, pode ser necessária a remoção total da fáscia palmar com enxerto de pele para cobertura. Nos casos mais graves com comprometimento articular, pode ser indicada artrodese ou até amputação do dedo como última opção.
Na fasciectomia com técnica WALANT, o paciente permanece acordado e consegue estender ativamente os dedos durante o procedimento. Isso permite ao cirurgião verificar em tempo real se a liberação está completa e identificar restrições residuais — tanto dos cordões quanto das cápsulas articulares — que exijam tratamento adicional. É uma vantagem única que outras técnicas anestésicas não oferecem.
Clique em qualquer imagem para ampliar.
Contração digital — doença de Dupuytren
Resultado — fasciotomia percutânea
Fáscia palmar — cordões fibrosos
Cirurgião da Mão e Microcirurgião com mais de 25 anos de experiência, especializado no diagnóstico e tratamento de doenças da mão, punho e cotovelo. Membro titular da SBOT e SBCM.
Não existe cura definitiva — a doença tem tendência à progressão e à recorrência, independentemente do tratamento. O objetivo do tratamento é corrigir a contratura e restaurar a função do dedo. Pacientes com diátese de Dupuytren (doença agressiva, jovem, bilateral) têm maior risco de recorrência após qualquer modalidade terapêutica.
O critério clássico para indicação cirúrgica é a contratura da metacarpofalângica superior a 30° ou qualquer contratura da interfalângica proximal. Aguardar muito pode resultar em contratura articular irreversível que não corrige completamente mesmo com a fasciectomia. Quanto mais precoce o tratamento, melhor o resultado funcional.
A recuperação leva em média 6 a 12 semanas. Fisioterapia com órtese de extensão noturna é fundamental para manter o ganho de extensão obtido na cirurgia. O retorno às atividades leves ocorre em 2–3 semanas; para atividades que exigem força, em 6–8 semanas.
Sim — a fasciectomia para doença de Dupuytren é coberta pela maioria dos planos de saúde com indicação clínica documentada. Nossa equipe orienta a documentação necessária para autorização durante a consulta.
Não — a doença de Dupuytren é uma condição benigna, sem risco de transformação maligna. O nódulo palmar é formado por fibroblastos e miofibroblastos proliferados, sem potencial oncológico. O diagnóstico diferencial com outras lesões palmares deve ser feito pelo especialista, mas a fibromatose palmar em si não é perigosa.
Quanto mais precoce o tratamento da doença de Dupuytren, melhor o resultado funcional. Agende uma avaliação especializada com cirurgião da mão em Natal.
Falar pelo WhatsApp