Abrir um pote, girar uma chave ou segurar o celular pode se tornar doloroso quando a articulação da base do polegar está comprometida. Os cinco sintomas de rizartrose ajudam a reconhecer um problema frequente, especialmente após os 50 anos, mas que não deve ser confundido automaticamente com qualquer dor na mão. A avaliação com especialista em cirurgia da mão permite identificar a causa e definir uma conduta compatível com o estágio da doença e as necessidades de cada pessoa.
O que é rizartrose?
A rizartrose é o desgaste da articulação carpometacarpal do polegar, localizada entre o primeiro metacarpo e um osso do punho chamado trapézio. Essa articulação participa de movimentos essenciais de pinça e preensão, como abotoar uma roupa, escrever, cozinhar, abrir embalagens e pegar objetos pequenos.
Com o desgaste da cartilagem, a movimentação entre os ossos pode provocar dor, inflamação, redução da mobilidade e perda de força. O quadro é mais comum em mulheres, sobretudo após a menopausa, mas também pode ocorrer em homens e em pessoas mais jovens, especialmente quando há predisposição familiar, lesões prévias, frouxidão ligamentar ou sobrecarga da articulação.
A intensidade dos sintomas não depende apenas do exame de imagem. Há pessoas com alterações radiográficas evidentes e pouca dor, enquanto outras apresentam limitação importante mesmo em estágios iniciais. Por isso, o diagnóstico deve considerar a história clínica, o exame físico e, quando necessário, exames complementares.
Cinco sintomas de rizartrose
1. Dor na base do polegar
O sintoma mais típico é a dor localizada na base do polegar, perto do punho. No início, ela pode surgir somente durante atividades que exigem força ou torção, como abrir potes, usar tesoura, torcer panos ou girar a chave na fechadura. Com a evolução, o incômodo pode aparecer em tarefas mais simples ou mesmo em repouso.
Nem toda dor nessa região significa rizartrose. Tendinites, lesões ligamentares, doença de De Quervain e algumas alterações do punho também podem causar sintomas próximos. A localização precisa da dor e os movimentos que a desencadeiam são informações valiosas durante a consulta.
2. Perda de força para pinçar e segurar objetos
A sensação de que a mão perdeu firmeza é outra queixa comum. A pessoa pode notar dificuldade para segurar uma xícara, carregar sacolas, manipular moedas, usar talheres ou apertar um prendedor de roupas. Objetos podem escapar da mão porque o polegar deixa de funcionar com a mesma estabilidade e potência.
Esse sintoma tem impacto funcional relevante. Muitas vezes, a dor faz a pessoa evitar o uso do polegar, o que contribui para enfraquecimento progressivo da musculatura. Em outras situações, a alteração mecânica da articulação reduz a eficiência do movimento de pinça mesmo quando a dor não é intensa.
3. Dor ao abrir potes, girar chaves ou usar o celular
Movimentos de torção e pinça costumam revelar a rizartrose antes de outras atividades. Abrir uma tampa, espremer um tubo, destravar uma porta, manusear uma torneira ou manter o celular por muito tempo pode provocar uma fisgada na base do polegar.
Esse padrão é bastante característico porque a articulação carpometacarpal recebe grande carga nesses movimentos. Ainda assim, não é adequado concluir o diagnóstico apenas pela presença desse incômodo. O especialista avalia se a dor vem da articulação, de tendões próximos, de compressões nervosas ou de uma combinação de fatores.
4. Inchaço, sensibilidade ou aumento do volume na região
Algumas pessoas percebem um leve inchaço ou uma saliência na base do polegar. A região pode ficar dolorida ao toque e, em fases mais avançadas, a alteração do alinhamento articular pode se tornar visível. Esse achado ocorre pela inflamação local e pelas mudanças graduais na estrutura da articulação.
Não é recomendável apertar, massagear com força ou tentar “colocar no lugar” uma área dolorosa. Um caroço, edema ou deformidade na mão precisa ser examinado para que se diferencie desgaste articular de cisto, inflamação tendínea, sequela de trauma ou outras condições.
5. Rigidez e dificuldade para movimentar o polegar
A rigidez pode ser mais perceptível pela manhã ou após um período sem movimentar a mão. Há quem relate dificuldade para afastar o polegar, encostá-lo na ponta dos outros dedos ou realizar uma pinça precisa. Em alguns casos, o movimento produz estalos ou sensação de atrito.
Quando a rigidez se combina com dor e redução de força, atividades cotidianas passam a exigir adaptações. A pessoa pode mudar a forma de segurar objetos, usar mais a outra mão ou deixar de realizar tarefas que antes eram simples. Esse é um sinal de que a função da mão merece avaliação, mesmo que os sintomas variem ao longo da semana.
Quando procurar avaliação especializada?
Uma dor passageira após esforço incomum pode melhorar com repouso relativo e ajustes temporários nas atividades. Porém, dor recorrente na base do polegar, perda de força, limitação para trabalhar ou cuidar da casa, deformidade aparente e sintomas que persistem por semanas justificam consulta.
A avaliação precoce é útil porque permite orientar medidas antes que a limitação se torne maior. Durante a consulta, o médico investiga quando os sintomas começaram, quais movimentos pioram a dor, se houve trauma, quais atividades ocupacionais ou domésticas sobrecarregam a mão e se há doenças associadas.
O exame físico inclui a palpação da articulação, testes de mobilidade, força e pinça. Radiografias podem ajudar a identificar sinais de desgaste e alterações no alinhamento. Dependendo da dúvida diagnóstica, outros exames podem ser indicados, mas eles não substituem uma avaliação clínica cuidadosa.
Também é necessário atenção quando há dormência, formigamento persistente, mudança de cor dos dedos, febre, dor intensa após trauma ou incapacidade súbita de movimentar o polegar. Esses sinais podem indicar situações diferentes da rizartrose e devem receber orientação médica sem demora.
O tratamento depende da dor e do impacto na função
Receber o diagnóstico de rizartrose não significa que uma cirurgia será necessária. A conduta é individualizada e considera a intensidade da dor, o grau de limitação, a resposta às medidas iniciais, as características da articulação e as demandas de trabalho e vida diária do paciente.
Em muitos casos, o tratamento clínico inclui orientação para reduzir movimentos que desencadeiam dor, adaptações ergonômicas, exercícios orientados, terapia da mão e uso de órteses em situações selecionadas. Medicamentos e infiltrações podem ser considerados pelo médico quando apropriado, sempre após avaliação das indicações e dos riscos para cada paciente.
A órtese não deve ser entendida como uma solução idêntica para todos. O tipo, o período de uso e a necessidade de imobilizar parcialmente o polegar variam conforme o quadro. Uso inadequado ou prolongado sem acompanhamento pode gerar desconforto e rigidez, por isso a orientação profissional faz diferença.
Quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador e comprometem de forma significativa a autonomia, o tratamento cirúrgico pode ser discutido. Existem técnicas distintas, e a escolha deve ser baseada no estágio da artrose, no alinhamento do polegar, na qualidade dos tecidos, na idade funcional e nas atividades que a pessoa precisa retomar. O objetivo é controlar a dor e buscar melhora funcional com planejamento seguro e acompanhamento adequado.
Ajustes simples que podem poupar a articulação
Enquanto aguarda a avaliação, observar os movimentos que provocam dor ajuda a evitar sobrecarga desnecessária. Em vez de insistir em uma tampa muito apertada, por exemplo, pode ser útil utilizar um abridor. Cabos mais grossos para utensílios e ferramentas tendem a exigir menos pinça intensa do que objetos finos.
Alternar tarefas, fazer pausas e usar as duas mãos para carregar itens maiores também pode reduzir a exigência sobre o polegar. Essas adaptações não tratam a causa do desgaste, mas podem diminuir crises de dor e preservar a participação nas atividades diárias.
Evite forçar exercícios encontrados na internet ou tentar fortalecer o polegar durante uma fase de dor ativa sem orientação. O exercício pode fazer parte da reabilitação, mas precisa respeitar o diagnóstico e o momento clínico. O que ajuda uma pessoa pode piorar a irritação articular de outra.
A mão participa de quase todos os gestos de autonomia. Se a dor na base do polegar está mudando sua forma de trabalhar, cozinhar, escrever ou segurar objetos, uma avaliação especializada pode esclarecer o diagnóstico e indicar o caminho mais adequado para proteger a função da sua mão.