A dor na base do polegar pode aparecer ao abrir um pote, girar a chave, segurar o celular ou apertar uma roupa. Nessa situação, a dúvida entre rizartrose versus tendinite é comum, pois as duas condições podem limitar tarefas simples e provocar desconforto na região do polegar e do punho. Apesar de terem sintomas que se confundem, elas afetam estruturas diferentes e exigem uma avaliação cuidadosa para que o tratamento seja bem indicado.
Rizartrose versus tendinite: qual estrutura está afetada?
A rizartrose é o desgaste da articulação na base do polegar, chamada articulação trapézio-metacarpal. Nela, o osso do polegar se encontra com um osso do punho. Com o tempo, a cartilagem que recobre essa articulação pode sofrer desgaste, levando a dor, rigidez, perda de força e, em alguns casos, alteração do formato local.
A tendinite, por sua vez, é um termo usado para descrever dor e inflamação ou degeneração dos tendões. Tendões são estruturas que ligam músculos aos ossos e permitem o movimento. Quando o incômodo está mais próximo do lado do punho, na direção do polegar, uma causa frequente é a doença de De Quervain, que envolve tendões responsáveis pela movimentação do polegar.
A diferença parece simples, mas a localização da dor nem sempre é suficiente para definir o diagnóstico. Uma pessoa pode sentir dor no mesmo lado do punho e ter uma alteração articular, tendínea ou até a combinação de mais de um problema. Por isso, não é recomendável concluir que todo desconforto no polegar seja causado por esforço repetitivo ou desgaste natural.
Como reconhecer os sintomas mais comuns da rizartrose
Na rizartrose, a dor costuma ser percebida bem na base do polegar, próxima à palma da mão. Ela tende a piorar nos movimentos de pinça, quando se usa o polegar contra o indicador, e nas atividades que exigem torção ou força. Abrir embalagens, virar maçanetas, usar tesoura, abotoar roupas e pegar panelas podem se tornar difíceis.
Outro sinal frequente é a perda de força para segurar objetos. Algumas pessoas relatam que deixam copos ou utensílios escaparem da mão. A sensibilidade local pode estar aumentada, e a articulação pode apresentar estalos, rigidez ou sensação de atrito durante os movimentos.
A rizartrose é mais comum a partir da meia-idade, especialmente em mulheres, mas não depende apenas da idade. Fatores como predisposição familiar, frouxidão ligamentar, sobrecarga articular, lesões anteriores e determinadas atividades manuais também podem participar do quadro. A presença de desgaste em um exame de imagem, porém, não determina sozinha a intensidade da dor. Há pacientes com alterações radiográficas e poucos sintomas, enquanto outros apresentam limitação relevante com alterações menos evidentes.
Quando a dor sugere tendinite no polegar ou punho
A dor de origem tendínea costuma piorar com movimentos repetidos do polegar, com o ato de carregar peso ou ao fazer força para torcer, puxar e segurar objetos. Na doença de De Quervain, o desconforto geralmente fica na lateral do punho, do lado do polegar, podendo irradiar para o antebraço ou para o próprio dedo.
Pode haver inchaço discreto, sensibilidade sobre os tendões e dor ao movimentar o polegar. Em alguns casos, a pessoa percebe uma sensação de atrito durante o movimento. O início pode ocorrer depois de uma mudança na rotina de esforço, mas nem sempre existe um episódio único que explique os sintomas.
Chamar toda dor tendínea de “tendinite” é prático, mas pode simplificar demais a situação. Em quadros persistentes, pode haver degeneração do tendão e espessamento da bainha que o envolve, sem que a inflamação seja o único fator. Essa distinção ajuda o especialista a propor uma conduta mais adequada, sem depender de tratamentos genéricos.
Diferenças que ajudam, mas não substituem o exame médico
De forma geral, a rizartrose causa dor mais centralizada na base do polegar e tende a incomodar especialmente na pinça e na torção. A tendinite costuma causar dor mais lateral, sobre o punho, e piorar com o deslizamento dos tendões durante os movimentos do dedo. Ainda assim, essa regra tem exceções.
A localização exata da sensibilidade, a avaliação da mobilidade, a força da mão e testes realizados durante a consulta oferecem informações mais confiáveis. Alguns movimentos podem reproduzir a dor típica da articulação, enquanto outros testam os tendões do punho. Esses testes precisam ser interpretados no contexto de cada paciente, porque forçar a região em casa pode aumentar o incômodo sem esclarecer a causa.
Também vale atenção para sintomas que não combinam claramente com nenhuma das duas condições, como formigamento persistente, dormência, dor noturna intensa ou fraqueza progressiva. Nesses casos, podem existir alterações nervosas, outras doenças articulares ou lesões associadas que merecem investigação.
Como é feito o diagnóstico correto
A consulta especializada começa pela história dos sintomas: quando a dor surgiu, quais movimentos a desencadeiam, se houve trauma, quais tarefas ficaram prejudicadas e como o problema evoluiu. A avaliação física da mão e do punho é decisiva para localizar a estrutura envolvida e identificar limitações funcionais.
Quando há suspeita de rizartrose, as radiografias podem mostrar o espaço articular, a posição dos ossos e sinais de desgaste. Na investigação de tendões, a ultrassonografia pode ser útil em situações selecionadas, pois permite observar estruturas superficiais e seu movimento. Outros exames podem ser solicitados quando a avaliação clínica indicar necessidade, mas não devem substituir o exame presencial.
O objetivo não é apenas dar um nome à dor. É entender o impacto real daquela alteração na sua rotina, diferenciar problemas que se sobrepõem e definir se há necessidade de tratamento clínico, adaptação de atividades, reabilitação ou procedimento.
Tratamento: a conduta depende da causa e da limitação
Tanto na rizartrose quanto nas tendinites, o tratamento inicial costuma considerar a intensidade da dor, o tempo de evolução, a função da mão e as características individuais do paciente. Medidas de proteção articular, órteses indicadas de forma adequada, fisioterapia ou terapia da mão e ajustes nas atividades podem ser úteis em muitos casos.
Na rizartrose, o fortalecimento orientado e estratégias para reduzir a sobrecarga da pinça podem ajudar a preservar função. Quando a dor permanece limitante, o especialista pode discutir outras opções clínicas e, em casos específicos, procedimentos cirúrgicos. A cirurgia não é uma decisão baseada apenas na imagem do desgaste, mas na persistência dos sintomas e no prejuízo funcional apesar das medidas adequadas.
Nas tendinites, reduzir temporariamente os movimentos que desencadeiam dor pode ser necessário, mas repouso completo e prolongado nem sempre é a solução. O retorno gradual ao uso da mão, com orientação, costuma ser mais apropriado depois do controle dos sintomas. Em situações selecionadas, infiltrações ou procedimentos podem ser considerados, sempre após confirmar o diagnóstico e avaliar riscos e benefícios.
Quando procurar avaliação com especialista em mão
Vale agendar uma consulta quando a dor persiste por mais de alguns dias ou semanas, retorna com frequência, reduz a força da mão ou impede atividades habituais. Também merece atenção o aparecimento de deformidade na base do polegar, inchaço persistente, travamento, formigamento ou dificuldade crescente para segurar objetos.
Para pacientes de Natal e região, uma avaliação com especialista em cirurgia da mão permite examinar a articulação, os tendões e possíveis estruturas nervosas envolvidas. Isso evita tratar como tendinite uma dor que pode ser articular, ou atribuir ao desgaste uma queixa que tem outra origem.
Enquanto aguarda a consulta, observe quais movimentos provocam dor, em que ponto ela começa e quais atividades foram afetadas. Essas informações tornam a avaliação mais precisa e ajudam a construir uma conduta voltada não apenas ao alívio do desconforto, mas à recuperação segura da função da mão.